7 Motivos para uma Educação Infantil Santa e Cuidadosa
Considere quão profundamente a própria natureza vos compromete com o maior cuidado e diligência para a santa educação de vossos filhos.

Por Richard Baxter
1615-1691
“Educai-os de acordo com a disciplina e o conselho do Senhor.” Efésios 6: 4
“Não hesite em disciplinar a criança; ainda que precise corrigi-la com a vara, ela não morrerá. Castiga-a, tu mesmo, com a vara, e assim a livrarás do Sheol (Inferno)”. Provérbios 23: 13-14
Como a principal parte do cuidado e governo familiar consiste na correta educação dos filhos, acrescentarei aqui alguns motivos mais específicos para estimular pais conscientes a este dever.
Motivo 1
Considere quão profundamente a própria natureza vos compromete com o maior cuidado e diligência para a santa educação de vossos filhos.
Eles são, por assim dizer, parte de vós mesmos, e aqueles que a natureza vos ensina a amar e prover, e cuidar, logo após vós mesmos; e sereis indiferentes aos seus principais interesses? e negligentes com suas almas? Não mostrareis amor aos vossos filhos de outra maneira senão como qualquer animal ou ave faz com suas crias, alimentando-os até que possam sair e se virar por conta própria quanto ao sustento corporal? Não são cães ou animais que trazeis ao mundo, mas filhos que têm almas imortais; e, portanto, é um cuidado e educação adequados às suas naturezas que lhes deveis: ou seja, aquilo que conduz mais eficazmente à felicidade de suas almas. A natureza lhes ensina algumas coisas naturais sem vós, como ensina o pássaro a voar; mas confiou a vós a tarefa e o cuidado de lhes ensinar as coisas maiores e mais necessárias: se pensásseis que não tendes nada a fazer além de alimentá-los, e deixar todo o resto à natureza, então eles não aprenderiam a falar; e se a própria natureza vos condenaria se não lhes ensinásseis a falar, muito mais vos condenará se não lhes ensinardes a entender tanto o que devem falar quanto o que devem fazer.
Eles têm uma herança eterna de felicidade a alcançar; e é para isso que deveis criá-los. Eles têm uma miséria sem fim a escapar; e é isso que deveis diligentemente lhes ensinar. Se não lhes ensinardes a escapar das chamas do inferno, que agradecimento vos devem por ensiná-los a falar e andar? Se não lhes ensinardes o caminho para o céu, e como podem garantir sua salvação, que agradecimento vos devem por ensiná-los como ganhar a vida por um curto tempo num mundo miserável? Se não os ensinardes a conhecer a Deus, e como servi-lo, e serem salvos—não lhes ensinais nada, ou pior que nada. Está em vossas mãos fazer-lhes a maior bondade ou crueldade no mundo! Ajudai-os a conhecer a Deus e a serem salvos, e fareis mais por eles do que se os ajudásseis a serem reis ou príncipes. Se negligenciardes suas almas, e os criardes na ignorância, mundanismo, impiedade e pecado, vós os traireis para o diabo, o inimigo das almas, tão verdadeiramente como se os vendêsseis a ele! Vós os vendeis para serem escravos de Satanás! Vós os entregais àquele que os enganará e abusará deles nesta vida, e os atormentará na próxima!
Se vísseis apenas uma fornalha ardente, muito mais as chamas do inferno, não pensaríeis que homem ou mulher mais se assemelha a um demônio do que a um pai, que poderia suportar em seu coração lançar seu filho nela, ou colocá-lo nas mãos de quem o faria? Que monstros de desumanidade sois vós, que ledes na Escritura qual é o caminho para o inferno, e quem são aqueles que Deus entregará a Satanás, para serem atormentados por ele; e ainda assim criareis vossos filhos nesse mesmo caminho, e não vos esforçareis para salvá-los dele! Que agitação fazeis para lhes prover alimento e vestuário, e um sustento adequado no mundo quando estiverdes mortos! E quão pouco vos esforçais para preparar suas almas para a herança celestial! Se acreditais seriamente que há tais alegrias ou tormentos para vossos filhos (e vós mesmos) tão logo a morte vos remova deste mundo, é possível que considereis isso como a menor de suas preocupações, e façais disso o menor e último de vossos cuidados—garantir-lhes uma felicidade sem fim?
Se os amais, mostrai isso naquelas coisas das quais depende seu bem-estar eterno. Não digais que os amais—e ainda assim os conduzis ao inferno! Se não os amais, pelo menos não sejais tão impiedosos a ponto de condená-los! O que mais poderíeis fazer para condená-los, mesmo se estudásseis para fazê-lo tão maliciosamente quanto o próprio diabo? Não podeis fazer mais do que criá-los na ignorância, descuido, mundanismo, sensualidade e impiedade! O diabo não pode fazer nada mais para condenar quer eles quer vós, senão tentando ao pecado e afastando-vos da piedade. Não há outro caminho para o inferno. Ninguém é condenado por outra coisa senão por isso. E ainda assim os criareis em tal vida, e direis—não desejamos condená-los?
Mas não é de admirar; quando esses pais que deveriam ter misericórdia das almas de seus filhos, não têm misericórdia de suas próprias! Vós não desejais condenar-vos, mas ainda assim o fazeis, se viveis vidas ímpias! E assim fareis com vossos filhos, se os educardes na ignorância de Deus, e no serviço da carne e do mundo. Fazeis como alguém que ateasse fogo em sua casa e dissesse: Deus não permita, não pretendo queimá-la. Ou como alguém que lançasse seu filho ao mar e dissesse que não pretende afogá-lo; ou o educasse para roubar e furtar, e dissesse que não pretende vê-lo enforcado; mas se pretendeis fazer dele um ladrão, é a mesma coisa, em efeito, como se pretendêsseis sua forca; pois a lei o determina, e o juiz o pretenderá.
Assim, se pretendeis criar vossos filhos na impiedade, como se não tivessem Deus nem almas para cuidar, podeis muito bem dizer que pretendeis que sejam condenados. E não seria um inimigo, sim, não seria o diabo mais desculpável, por agir tão cruelmente com vossos filhos, do que vós que sois seus pais, que estais vinculados pela natureza a amá-los e prevenir sua miséria? É odioso em ministros que assumem o encargo de almas, traí-las por sua negligência e ser culpados de sua eterna miséria; mas em pais é mais antinatural e, portanto, mais indesculpável.
Motivo 2
Considere que Deus é o Senhor e Proprietário de vossos filhos, tanto pelo título de criação quanto de redenção.
Portanto, em justiça, deveis entregá-los a Ele e educá-los para Ele. Caso contrário, roubais a Deus de suas próprias criaturas, e roubais a Cristo daqueles por quem Ele morreu, e tudo isso para dá-los ao diabo, o inimigo de Deus e deles. Não foi o mundo, a carne ou o diabo que os criou ou os redimiu, mas Deus; e não é possível que qualquer direito seja construído sobre um título mais completo do que fazê-los do nada e redimi-los de um estado muito pior que o nada. E após tudo isso, os próprios pais de tais filhos os roubarão de seu Senhor e Pai absoluto, e os venderão à escravidão e ao tormento?
Motivo 3
Considere quão grande poder a educação dos filhos tem sobre toda a sua vida posterior.
Excetuando a natureza e a graça, não há nada que geralmente prevaleça tanto com eles — como a educação que recebem de seus pais. De fato, a obstinação da maldade natural frequentemente frustra uma boa educação; mas se algum meio é provável que faça bem, é este; mas a má educação é mais constantemente bem-sucedida em torná-los maus. Isso alimenta aquelas sementes de maldade que brotam quando chegam à idade adulta; isso faz com que tantos sejam orgulhosos, ociosos, amantes dos prazeres carnais, licenciosos, lascivos, cobiçosos e tudo o que é mal. E tem uma tarefa difícil aquele que vem depois para desarraigar esses vícios que uma educação ímpia tão profundamente imprimiu. Pais ímpios servem ao diabo tão efetivamente nas primeiras impressões nas mentes de seus filhos, que é mais do que magistrados e ministros e todos os meios de reforma podem fazer posteriormente para recuperá-los do pecado para Deus. Ao passo que, se primeiro comprometerdes seus corações com Deus através de uma educação piedosa, a piedade teria então todas aquelas vantagens que o pecado tem agora. Provérbios 22:6, "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele."
A linguagem que lhes ensinais a falar quando são crianças, eles a usarão por toda a vida depois, se viverem com aqueles que a usam. E assim as opiniões que primeiro recebem, e os costumes e hábitos que aprendem inicialmente, são muito dificilmente mudados depois. Não duvido em afirmar que uma educação piedosa é o primeiro e ordinário meio designado por Deus para gerar fé real e outras graças nos filhos dos crentes.
E a pregação da palavra por ministros públicos não é o primeiro meio ordinário de graça, para ninguém senão aqueles que estavam sem graça até que viessem a ouvir tal pregação; isto é, para aqueles em quem o primeiro meio designado foi negligenciado ou se provou em vão. Ou seja, é apenas o segundo meio, para fazer aquilo que não foi feito pelo primeiro. A prova é inegável; porque Deus designa que os pais ensinem diligentemente a seus filhos a doutrina de sua santa palavra, antes que eles venham ao ministério público. O ensino dos pais é o primeiro ensino; e o ensino dos pais é para este fim, assim como o ensino público, ou seja, para gerar fé, amor e santidade; e Deus não designa meios para serem usados por nós, nos quais não possamos esperar sua bênção. Portanto, é evidente que o meio ordinário designado para a primeira graça real é a instrução piedosa e a educação dos filhos pelos pais. E a pregação pública é designada para a conversão somente daqueles que perderam a bênção do primeiro meio designado. Portanto, se negardes a vossos filhos uma educação piedosa, negais-lhes o primeiro meio designado para sua fé e santificação reais; e então o segundo chega em desvantagem.

Motivo 4
Considere também quão numerosas e grandes são vossas vantagens acima de todos os outros para o bem de vossos filhos.
- Nada é tão bem aprendido — como aquilo que se sabe vir do amor. Quanto maior o amor discernido em vossa instrução, maior sucesso podereis esperar. Agora, vossos filhos estão mais confiantes no amor de seus pais do que de quaisquer outros; se ministros e estranhos lhes falam com amor, eles não podem dizer; mas do amor de seus pais, eles não duvidam.
- E o amor deles por vós é igualmente uma grande preparação para vosso sucesso. Todos nós ouvimos àqueles a quem amamos ternamente, com maior atenção e disposição do que a outros. Eles não amam o ministro como amam seus pais.
- Vós os tendes em mãos cedo e frequentemente, antes que tenham recebido quaisquer opiniões falsas ou más impressões; antes que tenham qualquer pecado exceto aquele com o qual nasceram; vós sois quem faz as primeiras impressões sobre eles; vós os tendes enquanto são mais ensináveis, flexíveis e tenros, e oferecem menor resistência contra a instrução; eles não se levantam inicialmente contra vosso ensino com auto-conceito e objeções orgulhosas. Mas quando vêm ao ministro, são como papel que já foi escrito ou impresso, inadequado para receber outra impressão; eles têm muito a ser desensinados, antes que possam ser ensinados; e vêm com resistência orgulhosa e rígida, para lutar contra a instrução, em vez de prontamente recebê-la.
- Vossos filhos dependem totalmente de vós para seu sustento presente, e muito para seu meio de vida e porções futuras; e, portanto, eles sabem que é de seu interesse obedecer-vos e agradar-vos; e como o interesse pessoal é a inclinação comum do mundo, assim é com vossos filhos; podeis governá-los mais facilmente, tendo este meio para segurá-los, do que qualquer outro que não tenha esta vantagem. Eles sabem que não vos servem por nada.
- Vossa autoridade sobre vossos filhos é inquestionável. Eles disputarão a autoridade de ministros, sim, e de magistrados, e lhes perguntarão quem lhes deu o poder para ensiná-los e comandá-los? Mas a autoridade dos pais está além de qualquer disputa. Eles não vos chamarão de tiranos ou usurpadores, nem vos pedirão para provar a validade de vossa ordenação, ou a ininterrupção de vossa sucessão. Portanto, pai e mãe, como o primeiro poder natural, são mencionados em vez de reis ou rainhas no quinto mandamento.
- Vós tendes o poder da vara para forçá-los. Provérbios 22:15, "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela." E vossa correção será melhor entendida como vindo do amor, do que a do magistrado ou de qualquer outro.
- Vós tendes a melhor oportunidade para conhecer tanto as doenças quanto o temperamento de vossos filhos; o que é uma grande vantagem para a escolha e aplicação do melhor remédio.
- Vós tendes a oportunidade de vigiá-los e discernir todas as suas faltas a tempo; mas se um ministro lhes fala, ele não pode saber mais sobre que falta repreender, do que outros lhe dizem, ou a criança confessará. Vós podeis também discernir que sucesso tiveram vossas exortações anteriores, e se eles se emendam ou continuam no pecado, e se deveis proceder a remédios mais severos.
- Vós tendes oportunidade de falar-lhes da maneira mais familiar; o que é melhor compreendido do que o discurso formal de um ministro no púlpito, que poucos deles notam ou entendem. Vós podeis estimular sua atenção com perguntas que os levam a responder-vos, e assim despertá-los para uma consideração séria do que dizeis.
- Vós estais tão frequentemente com eles, que podeis repetir vossas instruções e insistir nelas, para que o que não é feito em um momento, possa ser feito em outro; enquanto outros homens raramente podem falar-lhes, e o que é tão raramente falado é facilmente negligenciado ou esquecido.
- Vós tendes poder para colocá-los sob os melhores meios, e para remover muitos impedimentos de seu caminho que geralmente frustram os esforços de outros homens.
- Vosso exemplo e vida são um sermão contínuo e poderoso, que está sempre diante de vossos filhos e à vista deles! Por todas estas vantagens, Deus vos capacitou, acima de todos os outros, a serem instrumentos do bem de vossos filhos, e os primeiros e maiores promotores de sua salvação.
Motivo 5
Considere quão grande consolo seria para vós, ter vossos filhos tais como podeis confiantemente esperar que sejam filhos de Deus, sendo levados a conhecê-lo, e amá-lo, e servi-lo, através de vossos próprios esforços em uma educação piedosa deles.
- Vós podeis amar vossos filhos por um motivo mais elevado do que simplesmente por serem vossos; ou seja, por serem de Deus, adornados com Sua imagem, e vivificados com uma vida divina e celestial; e isto é amá-los com um tipo mais elevado de amor, do que a mera afeição natural. Vos alegraria ver vossos filhos elevados a reis ou príncipes; mas, oh, quão maior causa de alegria é vê-los feitos membros de Cristo, e vivificados por Seu Espírito, e selados para a vida eterna!
- Quando vossos filhos são feitos filhos de Deus, pela regeneração do Espírito, podeis estar muito mais livres de cuidado e preocupação por eles do que antes. Agora podeis confiantemente entregá-los ao cuidado de seu Pai celestial, que é capaz de fazer mais por eles do que vós sois capazes de desejar. Ele os ama melhor do que vós podeis amá-los; Ele está vinculado por promessa a protegê-los e provê-los, e a fazer com que todas as coisas cooperem para o bem deles. Aquele que veste os lírios do campo, e não permite que os leõezinhos ou corvos fiquem sem provisão, proverá alimento conveniente para Seus próprios filhos (embora queira que vós também cumpram vosso dever para com eles, pois são vossos filhos).
Enquanto são filhos de Satanás e servos do pecado, tendes motivo para temer, não apenas que sejam expostos a misérias neste mundo, mas muito mais que sejam arrebatados em seu pecado para o inferno. Vossos filhos, enquanto são ímpios, estão em situação pior do que entre lobos e tigres. Mas uma vez renovados pelo Espírito de Cristo, eles estão sob o encargo de toda a Trindade bendita, e sob Deus, sob o encargo dos anjos. Vivendo ou morrendo, eles estão seguros; pois o Deus eterno é sua porção e defesa.
- Pode ser um conforto contínuo para vós pensar em quanta labuta e calamidade vosso filho está livre. Pensar em quantos juramentos ele teria feito, e quantas mentiras e maldições teria proferido, e quão bestial e carnal teria sido sua vida, quanto mal teria feito a Deus e aos homens, e quanto teria agradado ao diabo, e que tormentos no inferno teria suportado como recompensa de tudo isso; e então pensar quão misericordiosamente Deus preveniu tudo isso; e que serviço ele pode prestar a Deus no mundo, e finalmente viver com Cristo na glória. Que alegria é esta para um pai considerado e crente, que toma as misericórdias de seus filhos como suas próprias!
- A religião ensinará vossos filhos a serem mais obedientes a vós mesmos, do que a natureza pode ensiná-los. Ela os ensinará a amar-vos, mesmo quando não tiverdes mais nada para lhes dar, bem como se tivésseis toda a riqueza do mundo. Ela os ensinará a honrar-vos, embora sejais pobres e desprezíveis aos olhos dos outros. Ela os ensinará a obedecer-vos, e se cairdes na pobreza, a socorrer-vos de acordo com seu poder. Ela os preparará para confortar-vos no tempo de vossa doença e angústia; quando filhos ímpios serão como espinhos em vossos pés ou olhos, e cortarão vossos corações, e se provarão uma aflição maior do que quaisquer inimigos para vós. Um filho piedoso suportará vossas fraquezas, quando um Cam não cobrirá a nudez de seu pai. Um filho piedoso pode orar por vós, e orar convosco, e ser uma bênção para vossa casa; quando um filho ímpio é mais propenso a amaldiçoar, e provar-se uma maldição, para aqueles com quem vive.
- E não é uma alegria excepcional pensar na felicidade eterna de vosso filho? e que podeis viver juntos no céu para sempre? quando a prevista miséria de um filho sem graça pode afligir-vos sempre que olhais para seu rosto.
- Por último, será uma grande adição à vossa alegria, pensar que Deus abençoou vossas instruções diligentes, e vos fez o instrumento de todo aquele bem que é feito sobre vossos filhos, e de todo aquele bem que é feito por eles, e de toda a felicidade que eles têm para sempre. Pensar que isto foi transmitido a eles por vosso intermédio, vos dará uma participação maior nos deleites disso.
Motivo 6
Lembrai-vos de que o pecado original e a miséria de vossos filhos vêm por vós; e, portanto, em justiça, vós que os arruinastes—estais obrigados a fazer o vosso melhor para salvá-los.
Se tivésseis apenas transmitido uma lepra, ou alguma doença hereditária, a seus corpos, não teríeis feito o vosso melhor para curá-los? Oh, que pudésseis fazer-lhes tanto bem quanto lhes fazeis mal! É mais do que o pecado de Adão que desce para as naturezas de vossos filhos, sim, e que traz juízos sobre eles; e mesmo o pecado de Adão não vem a eles senão por vós.
Motivo 7
Por fim, considere quão extremamente grande é a necessidade que eles têm da máxima ajuda que podeis proporcionar-lhes.
Não é uma doença corporal, um inimigo fácil, uma miséria tolerável, que vos chamamos para ajudá-los; mas é contra o pecado, e Satanás, e o fogo do inferno! É contra um corpo de pecado; não um, mas muitos; não pequenos, mas perniciosos, tendo tomado conta do coração; pecados profundamente enraizados, que não são facilmente arrancados. Todo o ensino, e diligência, e vigilância que podeis usar, é pouco suficiente, e pode provar-se muito pouco. Eles têm vícios obstinados que os possuíram; eles não são rápida nem facilmente expulsos; e os restos e raízes são propensos a continuar brotando novamente, quando pensáveis que haviam sido completamente destruídos. Oh, então que sabedoria e diligência é necessária para um trabalho tão grande e necessário!
E agora deixai-me falar seriamente aos corações daqueles pais descuidados e ímpios, que negligenciam a santa educação de seus filhos. Sim, e àqueles professores de piedade, que executam superficialmente um trabalho tão grande com poucos deveres e palavras rotineiras, que estão próximos de uma omissão total dele. Oh, não sejais tão impiedosos com as almas que ajudastes a trazer ao mundo! Não penseis tão baixamente deles, como se não valessem vosso trabalho. Não façais vossos filhos tão semelhantes a vossos animais, a ponto de não fazer provisão senão apenas para sua carne. Lembrai-vos sempre que não são animais, mas homens, que gerastes e trouxestes à luz. Educai-os, então, e usai-os como homens, para o amor e obediência de seu Criador. Oh, tende piedade e ajudai as almas que maculastes e arruinastes! Tende misericórdia das almas que devem perecer no inferno, se não forem salvas neste dia de salvação! Oh, ajudai-os que têm tantos inimigos para assaltá-los! Ajudai-os que têm tantas tentações a passar; e tantas dificuldades a superar; e um juízo tão severo a enfrentar! Ajudai-os que são tão fracos, e tão facilmente enganados e derrotados! Ajudai-os rapidamente enquanto vossas vantagens continuam; antes que o pecado os tenha endurecido, e a graça os tenha abandonado, e Satanás colocado uma guarnição mais forte em seus corações. Ajudai-os enquanto são ensináveis, antes que cresçam a ponto de desprezar vossa ajuda; antes que vós e eles sejais separados, e vossas oportunidades cheguem ao fim.
Vós não considerais vosso trabalho de ano a ano excessivo para prover para seus corpos. Oh, não sejais cruéis com suas almas! Não os vendais a Satanás, e isso por nada! Não os traiais por vossa negligência ímpia para o inferno. Ou se algum deles perecer, que não seja por vós, que estais tão obrigados a fazer-lhes o bem. A ruína das almas de vossos filhos é um trabalho muito mais adequado para Satanás do que para seus pais.
Lembrai-vos de quão confortável é trabalhar com Cristo para a salvação de almas. Vós considerais o chamado dos ministros honroso e feliz; e assim é, porque eles servem a Cristo em um trabalho tão elevado. mas se não o negligenciardes, podeis fazer por vossos filhos mais do que qualquer ministro pode fazer. O lar é vosso lugar de pregação; aqui Deus vos chama para exercer vossas habilidades, mesmo na santa instrução de vossas famílias. Vosso encargo é pequeno em comparação com o do ministro—ele tem centenas de almas para vigiar, que estão espalhadas por toda a paróquia; e considerareis muito instruir e vigiar aqueles poucos de vossa própria casa que estão sob vosso teto? Podeis falar odiosamente de ministros infiéis, que traem almas; e não considerais quão odioso é um pai que trai almas? Se Deus vos confiasse apenas talentos terrenos, tomai cuidado como os usais, pois tereis de prestar contas por vossa confiança; e quando Ele vos confiou almas, mesmo as almas de vossos filhos, vós as traireis?
Se quaisquer governantes vos proibissem a instrução e o bom governo de vossas famílias, e vos restringissem por uma lei, como teriam restringido Daniel de orar em sua casa, Daniel 6, então vós os consideraríeis monstros de impiedade e desumanidade; e clamaríeis contra esta perseguição satânica, que faria dos homens traidores das almas de seus filhos, e expulsaria toda a religião da terra. E, no entanto, com que facilidade podeis negligenciar tais deveres, quando ninguém vos proíbe, e nunca vos acusais de tal horrível impiedade ou desumanidade! Que hipocrisia e parcialidade cega é esta! Seria tão grave pecado em outro restringir-vos? e não é tão grave para vós, que estais tão obrigados a isso, restringir-vos voluntariamente? Oh, então, não negueis esta diligência necessária aos vossos filhos necessitados, como amais suas almas, como amais a felicidade da igreja ou do estado, como amais a honra e o interesse de Cristo, e como amais vossa paz presente e eterna.
Não vejais vossos filhos como escravos de Satanás aqui, e como tições do inferno para sempre, se qualquer diligência vossa puder contribuir para evitá-lo. Não deis à consciência tal matéria de acusação contra vós, dizendo: Tudo isto foi culpa vossa! Se os tivésseis instruído diligentemente, e vigiado sobre eles, e corrigido, e feito vossa parte, é provável que eles nunca tivessem chegado a isto. Vós lavrais vossos campos; arrancais as ervas daninhas de vossos jardins; quanto trabalho dedicais às vossas terras e ao vosso gado! e não dedicareis mais aos vossos filhos? Ai, que criaturas serão eles se os deixardes por conta própria! quão ignorantes, descuidados, grosseiros e bestiais! Oh, que estado lamentável os pais ímpios trouxeram ao mundo! Ignorância e egoísmo, sensualidade bestial e malignidade diabólica cobriram a face da terra como um dilúvio, e expulsaram a sabedoria, e a abnegação, e a piedade, e a caridade, e a justiça, e a temperança quase para fora do mundo, confinando-as aos seios de poucas almas obscuras e humildes, que amam a virtude pela virtude, e esperam sua recompensa somente de Deus, e esperam que, abstendo-se da iniquidade, façam-se presa para os lobos, Isaías 59:15. A educação ímpia desumaniou o mundo, e o submeteu a Satanás, e o tornou quase semelhante ao inferno. Oh, não vos unais ao diabo nesta maldade antinatural e horrível!
Tradução: Alessandra Martins – Equipe Educadora
Fonte Texto Original: http://gracegems.org/28/Baxter_children.htm
Imagem: Canva Educalar
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